No reino budista do Butão, a conversão é proibida pelo código penal do país

Fonte: portasabertas

No Butão, país que ocupa a 33ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2019, o budismo é parte do tecido social e nenhuma congregação cristã nunca teve permissão de ser construída. Todas as comunidades cristãs permanecem secretas. Especialmente em áreas rurais, os monges budistas se opõem à presença de cristãos. Em algumas áreas do Butão, a fusão de crenças tribais com o budismo tem causado perseguição, sobretudo nas regiões central e leste do país.

O Butão é um reino budista há séculos. Mesmo após introduzir uma monarquia constitucional em 2001 e instalar eleições democráticas e uma nova constituição em 2008, o país continua a dar um papel dominante ao budismo. O artigo 31 da Constituição afirma que o “budismo é a herança espiritual do Butão” e “é responsabilidade de todas as instituições e personalidades religiosas promover a herança espiritual do país”. Assim, o nacionalismo religioso se caracteriza como o principal tipo de perseguição no Butão.

O segundo principal tipo de perseguição é o antagonismo étnico. Convertidos ao cristianismo que se recusam a participar dos rituais e tradições da crença tradicional animista chamada Bön serão pressionados e enfrentarão oposição e exclusão por parte da tribo. O governo opera como perseguidor em dois níveis: por um lado porque os oficias perseguem os cristãos como executores do poder do Estado; por outro, eles também são verdadeiros seguidores do budismo e da herança espiritual do país.

A conversão é proibida pelo código penal do país. O código estipula que conversões por coerção são uma ofensa passível de punição. Todas as conversões enfrentam oposição da família, comunidade, autoridades religiosas e do Estado. “Conversão forçada” é punida por lei, mas o termo “forçada” é aberto a interpretações; na prática, a conversão é simplesmente proibida. Até mesmo distribuir um folheto evangelístico (sem falar sobre Cristo nem convidar a pessoa para a igreja) pode levar à prisão.

Os cristãos perseguidos no Butão têm que ser muito cuidados na maneira de adoração, principalmente se são os únicos cristãos da família. Para os convertidos, pode ser perigoso mostrar símbolos cristãos em particular se o resto da família não é cristã. Na maioria dos casos, os cristãos se reúnem em casas alugadas, o que pode ser difícil se o proprietário for budista. Nas áreas rurais, cristãos conhecidos (ou seja, não secretos, aqueles que a comunidade sabe sobre a conversão) são monitorados de perto.

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